A psoríase é uma doença crônica e não contagiosa que acomete 2% da população brasileira. Ela é caracterizada por lesões avermelhadas e descamativas da pele que costumam acometer mais o couro cabeludo, cotovelos e joelhos. De todos os pacientes portadores de psoríase, 15% podem desenvolver uveíte, e pacientes acima de 60 anos têm maior probabilidade de desenvolver essa alteração ocular. A uveíte é uma inflamação ocular que acomete a íris, corpo ciliar e/ou coróide. Por causar o olho vermelho pode ser confundida com conjuntivite, mas nesse caso é mais grave. Essa patologia pode causar complicações oculares, como: catarata, glaucoma e baixa visual. A psoríase deve ser acompanhada pelo dermatologista, mas os pacientes também devem passar em consulta com o oftalmologista para prevenirem problemas visuais. Dr. Daniel Kamlot (CRM: 137622-SP, RQE: 37044)
Doenças reumatológicas
Doenças reumatológicas como artrite reumatóide, lúpus eritematoso sistêmico, espondilite anquilosante, entre outras podem afetar os olhos. A maioria dessas doenças causam o olho seco e ceratite. Nesses casos, a pessoa sente irritação ocular, olho vermelho e sensação de corpo estranho. Além disso, podem causar uveíte (inflamação da íris, corpo ciliar ou coróide) que pode gerar complicações como: catarata, glaucoma e baixa visual. Esclerite e episclerite também podem ser encontradas nas patologias reumatológicas e, em alguns casos, podem levar a um afinamento da parede ocular significativo. Pacientes que utilizam em seu tratamento a cloroquina devem passar em consulta oftalmológica de rotina, pois, a longo prazo, este medicamento pode afetar a retina (parte posterior do olho). Sendo assim, pacientes com diagnóstico de doença reumatológica devem ser acompanhados pelo reumatologista mas também devem marcar consulta com seu oftalmologista para prevenir alterações oculares. Dr. Daniel Kamlot (CRM: 137622-SP, RQE: 37044)
Câncer de mama
Sabemos que o câncer de mama é a neoplasia mais comum no sexo feminino. Os tumores metastáticos são a forma mais comum de neoplasia ocular. Metástase é a disseminação do tumor para outros órgãos do corpo. O câncer de mama é responsável por 50% das metástases oculares. A coróide (parte responsável pela vascularização da parte posterior do olho) é envolvida em 85% dos casos. Outras partes oculares acometidas pelas metástases são a órbita e a pálpebra, mas numa porcentagem muito menor. Para detectarmos alguma alteração ocular secundária à disseminação do tumor temos que dilatar a pupila e realizar o exame de mapeamento de retina. Exames como angiografia fluoresceínica (fotos da retina com contraste), ultrassonografia ocular e punção por agulha fina ajudam no diagnóstico. Os sintomas mais comuns relacionados à neoplasia ocular são: baixa de visão, dor e vermelhidão ocular, e manchas no campo visual. Para o tratamento de metástase ocular secundária à neoplasia de mama, lançamos mão de alguns tratamentos, como: radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia, termoterapia transpupilar e fotocoagulação a laser. Mulheres acima de 40 anos devem fazer o exame de fundo de olho, anualmente! Dr. Daniel Kamlot (CRM: 137622-SP, RQE: 37044)
Zika Vírus
O Zika vírus entrou no radar do Brasil e do mundo com força a partir de 2015, quando uma onda de casos no Nordeste trouxe à tona uma relação inédita entre a infecção em gestantes e malformações fetais, principalmente a microcefalia. Passados quase dez anos, o tema continua relevante: o mosquito transmissor (o mesmo da dengue) segue amplamente presente, surtos ainda podem ocorrer e a prevenção depende de atitudes individuais e políticas públicas. Neste artigo, você encontra um panorama claro e atual sobre o Zika: o que é, como se pega, quais são os sintomas, quem corre mais risco, como diagnosticar e prevenir. O que é o Zika vírus? O Zika é um arbovírus do gênero Flavivirus (da mesma “família” da dengue e da febre amarela). Ele é endêmico em regiões tropicais e subtropicais e, no Brasil, ganhou relevância sanitária por estar associado a complicações neurológicas, especialmente quando a infecção ocorre na gestação. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica o Zika como uma doença transmitida principalmente por mosquitos do gênero Aedes, com destaque para o Aedes aegypti. Transmissão: vai muito além do mosquito A principal via de transmissão é a picada do Aedes aegypti, o mesmo vetor da dengue, chikungunya e febre amarela urbana. Esses mosquitos têm hábitos diurnos, com picos ao amanhecer e ao fim da tarde, e se reproduzem em água parada, mesmo em pequenos recipientes. No entanto, não é a única forma de contágio: já está bem documentada a transmissão sexual de Zika, com detecção do vírus em sêmen e secreções vaginais, o que exige cuidados adicionais após viagens ou possível exposição. Também há relatos de transmissão perinatal e por transfusão sanguínea, embora sejam raras. Sintomas: geralmente leves, mas atenção aos sinais Na maioria das pessoas, a infecção por Zika é assintomática ou apresenta sintomas brandos e autolimitados que duram de alguns dias a uma semana. Os sinais mais comuns incluem: manchas vermelhas na pele (exantema), febre baixa, dor nas articulações e dor de cabeça; muitos pacientes também relatam conjuntivite e coceira. Por serem parecidos com dengue e chikungunya, o diagnóstico clínico pode ser confuso sem exames complementares, especialmente em áreas com cocirculação desses vírus. Complicações: microcefalia, síndrome congênita e Guillain-Barré O grande divisor de águas na história do Zika foi a confirmação científica de que a infecção durante a gestação pode causar microcefalia e outras graves alterações neurológicas no feto, configurando o espectro conhecido como síndrome congênita do Zika. Revisões sistemáticas e publicações em periódicos de alto impacto, como o New England Journal of Medicine, fundamentaram o nexo causal em 2016, levando a OMS a declarar, naquele ano, uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (PHEIC). Além das malformações fetais, em adultos o Zika se associa a complicações neurológicas como Síndrome de Guillain-Barré. No Brasil, o Ministério da Saúde confirmou oficialmente, em 28 de novembro de 2015, a relação entre Zika e o surto de microcefalia a partir da detecção de vírus em amostras de um bebê com malformações. Dias depois, os boletins epidemiológicos registravam milhares de notificações de microcefalia em diversos estados, consolidando a resposta de vigilância e o desenvolvimento de protocolos específicos. Diagnóstico: quando e como testar O diagnóstico laboratorial pode ser feito por RT-PCR (que detecta material genético do vírus) nas fases iniciais da doença, quando a carga viral está mais alta, ou por sorologia (detecção de anticorpos), levando em conta possíveis reatividades cruzadas com outros flavivírus. Em gestantes com suspeita de infecção, a avaliação deve ser priorizada e acompanhada de ultrassonografias seriadas para acompanhamento fetal, conforme protocolos de pré-natal de risco. A decisão sobre quais exames fazer varia com o tempo de início dos sintomas e com a disponibilidade local. Tratamento: suporte e alívio dos sintomas Não existe, até o momento, antiviral específico aprovado para Zika. O manejo clínico é suporte: hidratação, repouso e analgésicos/antitérmicos (evitando-se anti-inflamatórios não esteroidais até que se descarte dengue grave). Em casos neurológicos, o cuidado é individualizado e pode envolver internação e reabilitação. O foco principal de saúde pública permanece na prevenção da infecção, especialmente em gestantes e pessoas com possibilidade de engravidar. Prevenção: controle do vetor e proteção pessoal Como o Aedes aegypti se reproduz em ambientes domésticos, a prevenção começa em casa: eliminar criadouros (água parada em caixas d’água descobertas, pneus, vasos, calhas, garrafas), telas em portas e janelas, e uso de repelentes aprovados pela autoridade sanitária. Em áreas de risco, recomenda-se roupas de manga longa e mosquiteiros, inclusive em ambientes com ar-condicionado. Pela via sexual, camisinha é uma barreira importante, especialmente após possível exposição ou viagem a áreas com transmissão. Não há vacina aprovada para uso populacional contra Zika; por isso, a combinação de controle do vetor + proteção individual segue sendo a melhor estratégia. Gestantes: atenção redobrada Para quem está grávida (ou planejando engravidar), a recomendação é reforçar medidas de proteção e discutir com o pré-natal a necessidade de acompanhamento ultrassonográfico se houver suspeita de exposição. Em cenários de viagem, avalie o risco do destino e, se inevitável, aumente o cuidado com repelentes e barreiras físicas. A infecção no primeiro trimestre tem associação maior com desfechos adversos, embora o risco exista ao longo de toda a gestação. Situação epidemiológica: o que sabemos hoje Após o pico de 2015–2016, os casos de Zika diminuíram de forma acentuada, mas a doença permanece endêmica nas Américas e surtos esporádicos seguem sendo documentados. A OPAS/OMS e o CDC atualizam periodicamente mapas e painéis com países/territórios com transmissão passada ou atual, úteis para viajantes e profissionais de saúde. Em 2024 e 2025, análises regionais apontam atividade contínua com variações por país e, em paralelo, o avanço do Aedes tem sido impulsionado por fatores climáticos, urbanização desordenada e acúmulo de água parada. Esse contexto é importante porque o mesmo vetor carrega outras arboviroses (como a dengue), que tiveram recordes históricos na região recentemente. Embora Zika e dengue sejam diferentes, o controle do mosquito reduz o risco de ambas, reforçando a importância de ações comunitárias e políticas de saneamento e gestão de resíduos. Mitos e verdades sobre